Vale a pena ir trabalhar de carro? A vida pós Uber

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Estou fazendo uma experiência: vir trabalhar de Uber. A prestadora de serviços eletrônicos na área de transporte urbano privado recém chegou à Florianópolis e, como todo bom early adopter, eu resolvi testar. A experiência foi tão boa que na condição de proprietário de veículo automotor me fez questionar a sua utilidade frente ao alto preço da sua aquisição, altos custos com combustível e seguro, stress gerado pelo caótico trânsito florianopolitano e outros riscos que podem causar prejuízos materiais, de vida e demais aborrecimentos.

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A pergunta que eu fiz no início dessa experiência foi: vale a pena ir trabalhar de Uber?

A resposta para este questionamento vem abaixo sob forma de reflexões e cálculos, neste texto que escrevo como convidado aqui no blog da Gilberto Money, empresa do meu amigo homônimo que eu simplesmente chamo de Homem-Planilha (ou você achou que esse texto não terminaria em planilha?).

Há cerca de 4 meses montamos um escritório no bairro Estreito. Custos com energia elétrica, fornecimento de água, aluguel, seguro obrigatório, Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), conexão à Internet, materiais de expediente e instalações individuais de cada estação de trabalho foram precisamente calculados. O custo com transporte não foi, porque além de cada um dos integrantes do nosso Coworking escolher de forma independente o modal, quem optasse por vir de carro poderia deixar o veículo estacionado na rua, se cedo chegasse ao trabalho.

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O que ninguém contava é que poucas semanas após a nossa chegada a Prefeitura implantasse o sistema de Zona Azul por aqui. E aí a porca torceu o rabo. Estacionamento cobrado por hora, necessidade de trocar de vaga de estacionamento a cada X horas, etc. Foi então que eu aluguei uma garagem no prédio e o custo operacional acabou subindo mais que o esperado, ainda que mais barato que no sistema público gerenciado de forma privada.

A polêmica da vez não será pauta neste texto: eu pouco me importo com a discussão de que o Uber deve ser liberado ou não, se os taxistas têm razão quando brigam com Uberistas ou outros dilemas éticos e políticos. Estou sendo prático e econômico ao analisar o serviço e deixo aos juristas estes questionamentos.

Porém, um pouco de gasolina jogo nessa fogueira: o Uber, como hoje se apresenta, é um sistema muito melhor do que o Taxi que conhecemos por aqui. E esqueçam as balinhas, a água e os mimos que você encontrar no carro. Por ser um sistema colaborativo, ou seja, o usuário pode dar nota ao motorista, o patrão passa a ser de fato o usuário, quem paga a corrida e não mais um sindicato ou o Estado. O freguês agora tem razão e se você quiser trabalhar nesta seara terá que se adequar, ser cordial, tratar bem, manter o carro em condições sanitárias aceitáveis, funcionando sem parecer uma carroça e outros quetais. Não é o máximo viver no primeiro mundo?

Sem contar que pedir um Uber é, geralmente, muito rápido. Você abre o aplicativo, diz onde está, pode informar onde quer ir se quiser e em instantes tem alguém geralmente simpático e prestativo na sua porta pra fazer a viagem.

Nesta experiência encontrei problemas?

Sim. Uma só, por enquanto. Uma motorista aceitou uma corrida, começou a se locomover para o meu ponto de origem, no meio do caminho teve a brilhante idéia de apertar num botão onde ela avisava que já havia me apanhado e o GPS dela a levou diretamente para o meu destino. Ela estava indo até meu destino me buscar. Um erro bobo, estava começando, errar é humano. Em menos de 24h após uma reclamação que levou menos de 3 minutos pra ser feita pelo próprio aplicativo e sem falar com ninguém o dinheiro já havia sido estornado ao meu cartão de crédito da Nubank (outra lindeza do século XXI).

Então, puxa a calculadora, uma continha bem rápida: da minha casa ao meu trabalho, ida e volta, gasto pouco menos de R$16 com o Uber, pequenas variações de centavos por conta do tempo gasto em cada dia, tendo em vista a oscilação do trânsito. Neste percurso gasto cerca de 7,5km. Multiplica por 20 dias por mês e temos R$320 de custo de transporte mensal. Nada mal.

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De carro, gastaria pra realizar o mesmo trajeto, o seguinte: R$55 de combustível, que agora beira os R$4 o litro; R$290 por uma garagem alugada; totalizando R$305. Opa, o carro saiu R$15 mais barato, não? Não. Espere até calcular outros custos envolvidos, até porque seu carro não anda somente com gasolina. Pneus, freios, troca de óleo, revisões e até mesmo uma ou outra manutenção que você precisará fazer.

No início da experiência, eu me perguntei: e se eu precisar urgentemente do carro, ainda que trabalhe num escritório e não atenda clientes fora. A resposta é que realmente você vai precisar fazer eventuais viagens extra de Uber. Paciência.

Mas também pensei no seguinte: não terei stress com motoristas cortando minha frente, atravessando uma faixa sem sinalizar com a seta, não terei que fazer boletins de ocorrência, lidar com seguro e autoridades policiais em casos de sinistro, não precisarei parar no meio do trajeto pra abastecer o carro, calibrar pneus com menos frequência, me preocupar com pedestres, menos gastos com lavação do carro etc.

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Há também outro fator a ser levado em conta: o Uber agora tem o tal do fator multiplicador, um sistema de preço dinâmico que criou pra melhor pagar seus parceiros motoristas e incentivá-los a melhorarem a oferta de seus serviços. Eles explicam dessa forma: “Quando a demanda por viagens aumenta, os preços variam para incentivar que mais motoristas se conectem ao aplicativo e assim você terá um carro sempre que precisar. Quando a oferta subir, os preços rapidamente voltam ao normal”.

Mas cada caso é um caso.

Dependendo da quilometragem e tempo que você passa no trânsito, dependendo dos custos do seu carro, estes valores podem oscilar consideravelmente fazendo ou não valer a pena. Mas e agora, quem poderá nos ajudar? Ele, o Homem-Planilha, Gilberto Vieira fez uma planilha e disponibilizou aqui pra download. Basta você deixar seu e-mail e receber no conforto do seu smartphone uma planilha que vai calcular isso tudo pra você. Fácil, não?

E, pra fechar, vale a pena eu vir trabalhar de Uber? Pra mim vale. E a partir do próximo dia 20 deixarei o carro em casa. Se o vento mudar, eu volto aqui pra contar pra vocês. Boa viagem de Uber!

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